Não penso em nada, pesa tudo
Viro de cabeça para baixo pro sangue fluir
Os pés fincados no chão, o corpo flutuando no ar, ao som
Mente vagabundeando, varrendo infinitamente os cantos da paz
Reviro meus olhos
Viro minha pele pelo avesso
procuro um mundo em negativo,
em preto e branco, em colorido
Meus poros se abrem num sorriso
com o vento que beija a pele
e me confronta numa ciranda,
rodopiando num vestido leve e florido.
Procuro a carne do mundo
Nervosamente, os nervos,
As veias vitais, os olhos que vêem
A saliva com o sumo doçamargo da vida
Não sei como quero,
Mas gostaria assim: sempre em mim
O gosto do presente que me faz viva,
Nunca a nostalgia dos tempos que ainda virão.
Poesia de Karina Lerner, Agosto/2008

