segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tempos que ainda virão

Não penso em nada, pesa tudo

Viro de cabeça para baixo pro sangue fluir

Os pés fincados no chão, o corpo flutuando no ar, ao som

Mente vagabundeando, varrendo infinitamente os cantos da paz


Reviro meus olhos

Viro minha pele pelo avesso

procuro um mundo em negativo,

em preto e branco, em colorido


Meus poros se abrem num sorriso

com o vento que beija a pele

e me confronta numa ciranda,

rodopiando num vestido leve e florido.


Procuro a carne do mundo

Nervosamente, os nervos,

As veias vitais, os olhos que vêem

A saliva com o sumo doçamargo da vida


Não sei como quero,

Mas gostaria assim: sempre em mim

O gosto do presente que me faz viva,

Nunca a nostalgia dos tempos que ainda virão.


Poesia de Karina Lerner, Agosto/2008



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Like Flames


Espia por entre
vastos verdes
E de repente
Explode, lança chama

Adormece na cidade
por meses
E de repente
De assalto, me ganha


Brilho rubi
que reflete
no meu verde olhar
de bilhar

Se expande
como fogo ao vento
fogo do sol
que nutre e queima,
incendio na floresta
de meu peito!

Rubra pedra preciosa
que alumia
toda a magia
do dia-a-dia.

Poesia & Foto: Karina Lerner
Nov 2009
Brisbane, Australia

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O sangue do mundo


Dois tragos e cheguei na Europa!
Me desdobrar igual mapa-mundi
Mergulhar nas viagens das viagens

Errando por aí
Fui ser dirty dog
E parei numa mesinha de bar:
velas na mesa, luminárias de seda,
idéias na cabeça a brotar.



Todas as nacionalidades
nesse liquidificador de gente
e eu aqui:
"jogando meu corpo no mundo,
andando por todos os cantos"

mochila nas costas
pés a caminhar
lente da retina
clicando a rotina
de rocking
and rolling
and tripping
and that is the way, baby!

minhas veias
como os canais de Amsterdam
interconectando
o sangue do mundo.


Karina Lerner
Amsterdam, 12h25, 1/ set/2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que não sei o nome..."

Estes pés que percorreram solos europeus por 3 semanas, voltaram para as terras austrais. Agora, é a cabeça que precisa aterrisar...

Enquanto isso, algumas imagens de onde pisei...


Voldenpark >> Amsterdam, Holanda


Louvre >> Paris, França


National Gallery >> Londres, Inglaterra


Edinburgh, Escócia


The Cavern >> Liverpool, Inglaterra

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Fode a valer


Ver-te ao me ver
Me rendo
Seus olhos no meu
Devora-me
Devoro-te




Corpo enlaçado
num espaço apertado
Explosões
pelas frestas e fendas
Feixes de luz
Iluminando pedaços de pele
Flecha do desejo
Palavras que despejo
sem razão:

Gruda, invade, suja
Pega, beija, mela
Aperta, engole, fode
Fode a valer,
fode que eu quero ver.

Poesia de Karina Lerner, Março 2008