sexta-feira, 18 de março de 2011

Quando nada pertence

Corpo e alma
sem barreiras
ou fronteiras

Espírito plainando por todos os céus
Sou balão, asa-delta, avião
Ar rarefeiro, cumulus, gavião
O raio que parte o céu em dois, tempestade, trovão

Largo rio que percorre
todos os recantos do mundo
Sou Nilo, Ganges
Amazonas, Thames

Sou rezas e oferendas
para deuses ou bichos
A estação central de trem
O sino da igreja dos aflitos

Corpo vagando por entre corpos estranhos
Sou preto, pardo, amarelo, branco, diversificado
Sou arco-íris num céu de brigadeiro
Mistura de cores e nacionalidades
culturas e imagens

O reflexo da lua na noite escura
Sol do meio-dia ou da meia-noite
Tudo que pulsa de igual e diferente
em todos os continentes

Tudo que salta e rodopia
Tudo que espreita e explode
em podridão ou magia

Sou todos os caminhos possíveis do mundo
largas avenidas ou veredas
lugares que um dia palmilhei
estradas que nunca percorrerei
tudo que jamais me pertencerá.

2 comentários:

Marize disse...

Muito além dos mares, do céu, da terra, plainando entre ares, para além das fronteiras...assim é ela...bjos

Lisa Alves disse...

Poeira, pedacinho de DNA espalhado pelo mundo, ventos que sopram para todos os lugares, carbono. :)