sexta-feira, 8 de abril de 2011

Navalha no Pescoço

te farejo como bicho no cio
doido por um sarro
sou flor entre dentes afiados
cachorro louco que só encontra
o próprio rabo

te cato como animal faminto
que fuça restos de comida
em lixeiras vazias
e no caldeirão dos canibais
te devoro a fogo alto

sozinha nesse deserto,
sou uivo de coiote
e te desejo boa sorte
minha carne é puro vício

e o tempo, carona
nas crinas de um cavalo selvagem,
te leva pra bem longe
te leva com o vento
te desfaz em mil pedaços

pois não há mais espaço para nós
nesse embaraço sem fim
não há mais rios sem pedras
ou trilhas abertas

não há remédio milagroso
que sare a ferida em mim
que um dia você abriu:
fundo de poço,
navalha no pescoço.

Poesia de Karina Lerner, Jan 2011

2 comentários:

Lisa Alves disse...

Eu devo segurar mais uma corda
e sair da escuridão.
Tudo o que se expandiu um dia se contrairá.
Cair no poço é redenção.


Tua poesia sangra

homensdopantano disse...

maldito maldito cortador de pescoços
conta os ossos sua a bicas tem uns troços
esquisitos
são bonitos
purpúras
carrega em sua mala
brilham
como césio 137
serão mágicas
pergaminhos empoeirados
vejo os em todos os lados
estão aqui e estão ali
será só a paranóia
ou eles vem me divertir?