terça-feira, 2 de agosto de 2011

bruxa na fogueira

flamejando coisas
a minha volta
acendo incêndios
até em cinzeiros

acendo labaredas
em florestas inteiras
a larva do vulcão
em plena erupção

queimo por dentro
a pele do sol
queimo e invento
novas formas de queimar

queimo de fio a pavio
a última ponta
até o terceiro grau

em plena combustão
como vela pra santo
como bruxa na fogueira
da inquisição

queimo
queimo
queimo

me escaldo até restar
palha em meu sangue
cinzas nas veias
ossos em pó
ao me movimentar

viro brasa
até a última molécula
de oxigênio em meu corpo
até quando o mundo
parar de rodar.

Poesia de K Lerner, Ago/2011
Foto de K Lerner, Indonesia, Fev/2010

3 comentários:

Luis Nunes Alberto disse...

Granda bruxa, altamente

Por que você faz poema? disse...

Acende,
queima
(por dentro
por fora).
É chama
e chama
por ninguém.

Andressa C. disse...

quando?