terça-feira, 18 de outubro de 2011

Telefonema

mais de mil poemas escritos
e nem um telefonema
nem um toque abafado do amor
que um dia jurou ao meu ingênuo coração

nem uma carta, sinal de vida,
sinal de fumaça ou de socorro
nem um adeus, vá com Deus,
cresça, desapareça

nem a lembrança 
do que fomos,
inventamos, 
corrompemos

um copo pela metade,
apenas o filtro do cigarro,
uma música que me arranha o peito
e espanca meu defeito de ainda te amar

mais de mil poemas de amor 
estragados
dentro de uma gaveta 
empoeirada

um telefonema que nunca se completa,
que nunca me completa
um telefonema que um dia 
hei de não atender.

Poesia de K Lerner, Jan/2004

3 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Muitos poemas
e nenhum telefonema,
apenas a espera,
a expectativa,
e nessa linha que não se completa:
a indiferença.

Lisa Alves disse...

Totalmente existencial a reaçao a indiferença.

Fred Caju disse...

Nenhum dos mais de mil poemas serão em vão.