mais de mil poemas escritos
e nem um telefonema
nem um toque abafado do amor
que um dia jurou ao meu ingênuo coração
nem uma carta, sinal de vida,
sinal de fumaça ou de socorro
nem um adeus, vá com Deus,
cresça, desapareça
nem a lembrança
do que fomos,
inventamos,
corrompemos
um copo pela metade,
apenas o filtro do cigarro,
uma música que me arranha o peito
e espanca meu defeito de ainda te amar
mais de mil poemas de amor
estragados
dentro de uma gaveta
empoeirada
um telefonema que nunca se completa,
que nunca me completa
um telefonema que um dia
hei de não atender.
Poesia de K Lerner, Jan/2004
3 comentários:
Muitos poemas
e nenhum telefonema,
apenas a espera,
a expectativa,
e nessa linha que não se completa:
a indiferença.
Totalmente existencial a reaçao a indiferença.
Nenhum dos mais de mil poemas serão em vão.
Postar um comentário