sábado, 5 de novembro de 2011

desertificação

você deita na cama em posição fetal
e se sente afundando na lama
pra um mundo sem sons nem tons
para um mundo morto movediço

você grita bem alto e se sente lá embaixo
e as flores não mais se abrem
e as cores são todas pastéis
e os anjos não mais cantam
e os livros estão em branco

você finge que esquece quem te magoou
e as frases não têm mais efeito
as palavras não fazem mais sentido
e as horas estão todas mortas
a história encontrou seu ponto final

mas o telefone toca
e há esperança de mudança
e foi engano
e foi insano!

o sonho é decrépito
as tábuas continuam com o mesmo rangido
o vento assobia pelas frestas das janelas
um arrepio paira na nuca
e parece nunca mais se dissipar

sensação de areia nos olhos
vento que queima a pele
secura na boca

essa boca que nunca mais te beijará
e continua a procurar pelo seu corpo
essa boca minguando de desejos,
cheia de vontades
essa boca que quer beber de seu oásis
mas só encontra miragem:
nós, em plena desertificação.

Poesia de K Lerner, Mar 2011

2 comentários:

Fred Caju disse...

Gosto assim: forte!

Lisa Alves disse...

é dificil colocar o tal ponto final. Sempre temos um roteiro pela frente, mesmo sendo um roteiro solitário.

Grande beijo, menina poeta!