você deita na cama em posição fetal
e se sente afundando na lama
pra um mundo sem sons nem tons
para um mundo morto movediço
você grita bem alto e se sente lá embaixo
e as flores não mais se abrem
e as cores são todas pastéis
e os anjos não mais cantam
e os livros estão em branco
você finge que esquece quem te magoou
e as frases não têm mais efeito
as palavras não fazem mais sentido
e as horas estão todas mortas
a história encontrou seu ponto final
mas o telefone toca
e há esperança de mudança
e foi engano
e foi insano!
o sonho é decrépito
as tábuas continuam com o mesmo rangido
o vento assobia pelas frestas das janelas
um arrepio paira na nuca
e parece nunca mais se dissipar
sensação de areia nos olhos
vento que queima a pele
secura na boca
essa boca que nunca mais te beijará
e continua a procurar pelo seu corpo
essa boca minguando de desejos,
cheia de vontades
essa boca que quer beber de seu oásis
mas só encontra miragem:
nós, em plena desertificação.
Poesia de K Lerner, Mar 2011
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2 comentários:
Gosto assim: forte!
é dificil colocar o tal ponto final. Sempre temos um roteiro pela frente, mesmo sendo um roteiro solitário.
Grande beijo, menina poeta!
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